sábado, 15 de agosto de 2009

O que já pode ser visto a olho nu em 2010

As eleições de 2010 e suas estratégias já podem ser vistas a olho nu, sem necessidade de grandes e poderosas lentes de análise. Com uma antecedência e desespero incomum, a oposição se mostra e revela suas armas para ao combate. Também pudera, com um presidente e sua popularidade impermeabilizada, e uma possibilidade concreta de eleger um sucessor (a). A chamada crise do senado e os lances correlatos ficam fáceis de entendimento.

Como em outros cenários o embate presidencial é um momento de grandes contradições. É sempre um período de acomodações e rupturas. No horizonte o campo de lula – que carece de um programa delineado – mas pelas circunstâncias históricas se tornou avançado frente à oposição demo-tucano, privatista e obsecada pela volta ao poder, busca acertar o passo em torno de suas candidaturas: Dilma e Ciro Gomes. Para o próprio Presidente o melhor seria marchar com uma candidatura única. Para outros setores da esquerda há necessidade de se garantir o segundo turno e levar a esquerda com mais de uma possibilidade.

Quando todas as atenções estão voltadas para o “incêndio do Senado”, alvo combalido pelos bombardeios da oposição demo-tucano e adotada pela “mídia grande” como se estivéssemos diante do maior escândalo de todas as épocas no Brasil patrimonialista. As estratégias estão claras: paralisar o Congresso; arrastar Dilma e o governo para a crise e fomentar a divisão nas hostes do campo progressista.

Já se falou bastante que estes “arautos da moralidade” não querem apurar em profundidade as denúncias, tendo em vista os antecedentes de seus próceres. Após o arquivamento das denúncias contra Sarney, busca-se arrastar a Chefe da Casa Civil Dilma Roussef para o fogo e abem nova frente: a tentativa de construir a candidatura de Marina Silva a presidência.

A candidatura de Mariana Silva pelo PV é um esforço de dividir o campo de lula. Implodiria a candidatura de Dilma? E colocaria em dificuldades a candidata preferencial de Lula? Ou garantiria o segundo turno e a esquerda derrotaria com ampla margem o candidato demo-tucano?

É uma jogada arriscada prever o que irá acontecer caso se concretize a ida de Marina para a órbita dos tucanos. Tenho a convicção de que deverá ocorrer com certeza o segundo turno e a possibilidade de um candidato do campo de lula protagonizar essa disputa. Enfraquecer o campo de lula torna-se difícil dado que Marina tende a se afastar dessas conquistas e ficará no contraponto e com discurso ambíguo, o tal do desenvolvimento sustentável.

Mobiliza-se o guru dos tucanos cearenses, o marqueteiro Lavareda, para vender suas certezas: Dilma é frágil e Marina pode chegar lá. Lavareda quando fazia pesquisa no Ceará nunca ganhou uma eleição em Fortaleza: talvez porque nunca leu corretamente a ojeriza aos tucanos na cidade. 2010, com lula em alta, isto pode significar alguma coisa!

Chico e a Literatura que virá

Acabo de ler o novo livro de Chico Buarque, "Leite derramado". O livro é uma bela peça literária, uma viagem progressiva ou uma digressão de uma memória que se fragiliza quando a idade avança. O personagem narra suas venturas e desventuras sem preocupação com cronologia e ordem. É uma obra de leitura ligeira como uma história se derramando na gente. Quando li fiquei lembrando dos cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marques, da família Buendia e seus nomes, perfis e histórias trágicas, sem perder o fio da personalidade. Acho que Chico está se aproximando de sua grande obra na literatura, sem desqualificar o que até aqui foi produzido. Pode ser que ainda esteja embalado pelas canções do Poeta, e ainda não tenha encontrado o Chico na sua autoria literária. Vale a pena a leitura!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Chiquinha Gonzaga para sempre

A Biscoito Fino lançou um CD com clássicos de Chiquinha Gonzaga. Uma delas é "Atraente"...um pouco para ouvir.



http://www2.uol.com.br/ziriguidum/0908/090814-01.htm

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Baião é universal

O filme sobre Humberto Teixeira,exibido no 12º Cine Ceará, é fabuloso. Consegue ir além da história do personagem, e se projeta como como uma saga universal. A música se transforma num símbolo de homens e mulheres que fizeram a longa diáspora dos habitantes do semi-árido nordestino. Uma pérola do cinema...

sábado, 4 de julho de 2009

O Sol nascerá em Honduras

O golpe em Honduras é o fato político da hora. A novidade é que, diferente de outras épocas, as forças conservadoras não tem apoio de ninguém. Isolados, não conseguem apoio dos EUA, tradicionais patrocinadores dos golpes ocorridos nas décadas de 60 e 70 na América Latina. O quadro é alentador, por conta da nova correlação de forças existente. A multipolaridade e a crise internacional do capitalismo põe na defensiva o império. Como em todos esses "momentos" só a mobilização popular consegue derrotar os fascistas. E é o que não falta em honduras... o povo está nas ruas.
A volta do Presidente Zelaya é aguardada neste domingo com ansiedade por todos os democratas e progressistas do mundo. Sua vitória será também simbólica e inspiradora, para que nunca mais brote no continente sul-americano essas plantas que envenenam a democracia e a liberdade.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A CONAE e os caminhos da educação brasileira

A Conferência estadual de educação será lançada nesta sexta-feira, às 14h, na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Pelo seu significado, é um evento que carrega uma imensa simbologia e merece atenção das forças progressistas e populares. É um processo que envolverá os municípios cearenses e será fundamental para a reflexão dos atuais e futuros desafios educacionais existentes no País. O protagonismo dos movimentos sociais nesse processo, certamente fará diferença nos caminhos novos encontrados na construção do Sistema nacional de educação.

Até junho de 2009, milhares de educadores, estudantes, representantes do poder público e da sociedade civil participarão em milhares de municípios brasileiros da etapa municipal da Conferência Nacional de Educação, a CONAE, prevista para abril de 2010, que estabelecerá um novo Plano Nacional de Educação. Qual a importância dessa conferência no horizonte da educação nos dias atuais? Estratégica e de grande impacto positivo.

As conferências têm sido ferramentas balizadoras dessa fase histórica, na efetivação de políticas públicas democráticas, nos caminhos, diretrizes e eixos de atuação, que se constituem como pilares do planejamento num horizonte mais largo. É o lugar onde se definirão as prioridades que devem ser alcançadas nos diferentes pontos do sistema educacional. E um momento de afirmação da cultura política brasileira, para alavancar as mudanças necessárias na busca de melhores indicadores de ensino.

A Conferência colocará em debate o papel do estado e o direito a educação de qualidade; gestão democrática; acesso, permanência e sucesso escolar; a formação e valorização do professor; financiamento e controle social; e justiça social, igualdade, inclusão e diversidade. Estarão em discussão questões centrais para se conquistar a qualidade da educação no Brasil. O objetivo é organizar as diretrizes e as estratégias de ação do novo plano nacional, elo central para a construção do Sistema Nacional articulado de educação.

O regime de colaboração entre união, estados e municípios requer esforços muito maiores do que os atuais para consolidar o caminho de reversão dos indicadores existentes, ainda precários e insuficientes, visando melhorar a educação brasileira. Por isso a mobilização da sociedade e dos movimentos populares se faz necessário para impulsionar as mudanças até aqui alcançadas.

Nesse momento em que as energias dos trabalhadores em educação, do estado e dos municípios, se voltam para a luta pela implantação da lei do piso salarial, é essencial não perder de vista a participação nas conferências como parte da estratégia de fortalecimento da qualidade da educação, que é o sentido geral que move o interesse de todos.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A casa grande, a senzala e o ENEM


Os resultados do ENEM seguem repercutindo. Para uns, o que foi feito até aqui tem sido insuficiente, para modificar indicadores historicamente negativos, produzidos na abissal desigualdade da sociedade brasileira. Para outros, tudo continua como dantes: os filhos da casa grande continuando a colher as melhores avaliações educacionais, porque seus pais detêm escolaridade maior e poder aquisitivo para escolher as melhores escolas. Enquanto a herança da senzala ainda permanece ditando os números negativos alcançados pelos mais pobres, em escolas precárias e desabilitadas para o ensino.

É possível construir uma educação de qualidade neste cenário? Definitivamente sim. A educação irá se fortalecer se houver mais democracia. Se houver um estado mais comprometido com o desenvolvimento e a inclusão social. Se a sociedade cumprir seu papel protagonista e impulsionar as conquistas existentes.

Os avanços, principalmente no Governo Lula, têm forte relação com a idéia da educação como política de estado, nos quais o financiamento, a gestão e a valorização do professor são eixos estruturantes de um projeto de longo prazo, viabilizado por ações articuladas que visam dar qualidade ao ensino e aprendizagem a todos.

Certos discursos fáceis querem jogar a responsabilidade dos problemas sociais brasileiros na precária e combalida escola pública. Paciência! A desigualdade no Brasil nasceu primeiro que a escola. Mesmo com os avanços alcançados, a educação tem sido incapaz, nesse momento, de promover a alteração de uma lógica que sempre apostou na ignorância e no analfabetismo do nosso povo. Os indicadores que temos ainda são “derivados da mentalidade escravocrata” e de políticas discricionárias e excludentes, realizadas secularmente.

A educação – assim como o país - floresce bem melhor num ambiente democrático onde os diferentes atores possam partilhar seus problemas e desafios. E será bem cuidada se os gestores tiverem compromisso e colaboração com a qualidade do ensino e compreensão de que a aprendizagem não se limita aos muros da escola, mas deriva de um amplo processo de construção de toda sociedade, articulada com os esforços de um estado democrático, soberano e socialmente comprometido com a felicidade de seu povo. Estamos no caminho, embora as pedras estejam por lá, como diria Drummond. Mais haveremos de removê-las.