O Festival de Humor de Maranguape se consolida como uma das grandes novidades culturais dos últimos anos no Ceará. Imaginem milhares de pessoas sentadas, ou em pé numa praça, acompanhando atentas antigas e novas safras de piadas dos humoristas cearenses, que aos poucos vão se revezando no palco. É um convite ao bem-estar social. As famílias se postam em frente ao palco e as risadas comandam a cena. Ali pode ser visto um reencontro entre a vida cotidiana e a arte recriada. Cada piada vem carregada de uma fotografia do cotidiano e suas contradições. O Festival é uma obra da administração do Prefeito George Valentim e a equipe competente da FITEC, comandada pelo Adriano Teixeira, experiente produtor cultural. O festival homenageia Chico Anísio e os humoristas cearenses. Vale a pena ver. Ainda dá tempo. Neste sábado tem a etapa competitiva e o humorista piauiense João Claudio Moreno, um espetáculo. Vamos ao Festival.
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sábado, 21 de maio de 2011
Beba Drummond!
A poesia de Drummond é certeira e provoca no leitor uma vontade implacável de olhar para dentro ou melhor abrir os olhos para o horizonte. Quantos de nós- tão apegados ao cotidiano - não descuidamos dos sentimentos mais próximos que habita na gente. Eis o poema em questão:
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Samba de um minuto
Roberta Sá conseque colocar nesta música toda sua beleza e força de interpretação. Um encanto!
domingo, 15 de maio de 2011
Fortaleza e o passo do desenvolvimento
Segundo o IBGE, Fortaleza é a terceira capital do País de maior influência regional, ficando atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro, como uma das 12 redes-polo que mais exercem influência sobre municípios de diferentes estados, no atendimento de diversos serviços. Recentemente, também superou Salvador e se tornou o destino turístico mais visitado no nordeste.
E, agora, como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, inclusive com perspectivas de receber partidas decisivas, terá oportunidade de atrair muitos investimentos e obras de grande impacto.
Mas qual o legado dessas obras? Qual a relação desses trabalhos com o desenvolvimento da cidade para os próximos anos? Como aproveitar esse posicionamento e vencer os desafios de gestão para que a capital cearense se consolide como metrópole regional e possa avançar oferecendo infraestrutura adequada, serviços e qualidade de vida aos seus habitantes e visitantes?
Esse bom debate deverá ocupar o centro das atenções nos próximos anos. Penso sempre que responder a essas questões passa inicialmente pelas oportunidades que a cidade precisa abraçar com o objetivo de se preparar melhor para as necessidades de seu desenvolvimento.
Plano Diretor
Enquanto Fortaleza segue vibrante em seu crescimento, espalhando-se desordenada sobre vasto território adensado, possui ainda grandes desafios. Um deles, certamente, interfere diretamente na gestão da cidade: a falta de regulamentação do Plano diretor (PD), que pouco se discute, mas que tem um enorme peso na capacidade de o Poder Público influir na vida da cidade. Principalmente na mediação dos interesses das forças sociais e econômicas, que disputam o território urbano. Sem instrumentos que regulem a função social da cidade, pouco se assegura para a ampla maioria da população, em geral privada dos melhores serviços.
O PD iniciou sua atualização em 2002, já na era Estatuto da Cidade. Suas diretrizes foram revisadas em 2008. Mas o Plano ainda está por ser regulamentado em 2011. Se a atual administração concluir, em 2012, esse processo, teremos praticamente levado 10 anos para essa atualização. O que estamos perdendo com isso?
Em primeiro lugar, a possibilidade de se pensar a cidade em sua totalidade, assegurando ao Poder Público os meios necessários para mediar a produção real da cidade, que, hegemonizada pelo poder econômico, promove quando quer e quando pode intervenções urbanas, nem sempre a serviço da maioria da população.
Mesmo os grandes equipamentos poderiam ser mais bem aproveitados se Fortaleza contasse com os instrumentos do Estatuto da Cidade contidos no atual Plano Diretor. A ausência de uma matriz legal atualizada e regulamentada de Planejamento inviabiliza até o próprio Instituto de Planejamento de Fortaleza, desativado há 11 anos, e que está prestes a ressurgir, caso vença tramitação na Câmara de Vereadores.
Mobilização
É urgente a mobilização da comunidade acadêmica, das entidades profissionais e das lideranças da sociedade civil na luta para agilizar esse processo, para que a cidade conquiste um lugar ao sol na superação desses obstáculos, concluindo a regulamentação do PD em regime de urgência, abrindo espaço para o debate dos caminhos de desenvolvimento da cidade para os próximos 30 anos. Não é demais lembrar como certas obras de infra-estrutura levam décadas para sua efetivação. O Metrofor e o Transfor que o digam...
Outra questão relacionada e de impacto concreto é a mobilidade urbana da cidade, hoje esgotada, lenta e aguardando soluções de fôlego e de longo prazo nos principais corredores da capital. Procuram-se nos buracos os problemas da cidade, mas vejo que o abismo que temos pela frente é a falta de planejamento da mobilidade urbana. Ninguém se desloca sem atraso, diante de filas infindáveis, sem alternativas e vias rápidas. A vida – profissional, educacional, social – na cidade de mostra em crescente processo de aridez e estrangulamento. Horários se tornam impossíveis de cumprir, compromissos são perdidos, prejuízos são gerados. De quebra, o prazer de viver a cidade – de nela circular e de dela se apropriar, como espaço de sociabilização, reconhecimento e escrita da própria história de cada elo desse coletivo – se vê gravemente comprometido.
A proximidade das eleições produz muitos pretendentes ao cargo principal da cidade. É natural. O que não é normal é o desaparecimento de um debate qualificado e em torno de projetos. É essencial a construção de uma Plataforma para o desenvolvimento no Século XXI. Fortaleza ainda não adentrou este século com as obras e os empreendimentos necessários, que podem consolidá-la como uma das mais pujantes capitais brasileiras. A capital cearense precisa de uma gestão mais empreendedora, que vislumbre esses desafios e tome as medidas para sair dos impasses em que se envolveu. Voltaremos a essa discussão.
Gilvan Paiva é Sociólogo e Secretário de Educação de Maranguape
Mas qual o legado dessas obras? Qual a relação desses trabalhos com o desenvolvimento da cidade para os próximos anos? Como aproveitar esse posicionamento e vencer os desafios de gestão para que a capital cearense se consolide como metrópole regional e possa avançar oferecendo infraestrutura adequada, serviços e qualidade de vida aos seus habitantes e visitantes?
Esse bom debate deverá ocupar o centro das atenções nos próximos anos. Penso sempre que responder a essas questões passa inicialmente pelas oportunidades que a cidade precisa abraçar com o objetivo de se preparar melhor para as necessidades de seu desenvolvimento.
Plano Diretor
Enquanto Fortaleza segue vibrante em seu crescimento, espalhando-se desordenada sobre vasto território adensado, possui ainda grandes desafios. Um deles, certamente, interfere diretamente na gestão da cidade: a falta de regulamentação do Plano diretor (PD), que pouco se discute, mas que tem um enorme peso na capacidade de o Poder Público influir na vida da cidade. Principalmente na mediação dos interesses das forças sociais e econômicas, que disputam o território urbano. Sem instrumentos que regulem a função social da cidade, pouco se assegura para a ampla maioria da população, em geral privada dos melhores serviços.
O PD iniciou sua atualização em 2002, já na era Estatuto da Cidade. Suas diretrizes foram revisadas em 2008. Mas o Plano ainda está por ser regulamentado em 2011. Se a atual administração concluir, em 2012, esse processo, teremos praticamente levado 10 anos para essa atualização. O que estamos perdendo com isso?
Em primeiro lugar, a possibilidade de se pensar a cidade em sua totalidade, assegurando ao Poder Público os meios necessários para mediar a produção real da cidade, que, hegemonizada pelo poder econômico, promove quando quer e quando pode intervenções urbanas, nem sempre a serviço da maioria da população.
Mesmo os grandes equipamentos poderiam ser mais bem aproveitados se Fortaleza contasse com os instrumentos do Estatuto da Cidade contidos no atual Plano Diretor. A ausência de uma matriz legal atualizada e regulamentada de Planejamento inviabiliza até o próprio Instituto de Planejamento de Fortaleza, desativado há 11 anos, e que está prestes a ressurgir, caso vença tramitação na Câmara de Vereadores.
Mobilização
É urgente a mobilização da comunidade acadêmica, das entidades profissionais e das lideranças da sociedade civil na luta para agilizar esse processo, para que a cidade conquiste um lugar ao sol na superação desses obstáculos, concluindo a regulamentação do PD em regime de urgência, abrindo espaço para o debate dos caminhos de desenvolvimento da cidade para os próximos 30 anos. Não é demais lembrar como certas obras de infra-estrutura levam décadas para sua efetivação. O Metrofor e o Transfor que o digam...
Outra questão relacionada e de impacto concreto é a mobilidade urbana da cidade, hoje esgotada, lenta e aguardando soluções de fôlego e de longo prazo nos principais corredores da capital. Procuram-se nos buracos os problemas da cidade, mas vejo que o abismo que temos pela frente é a falta de planejamento da mobilidade urbana. Ninguém se desloca sem atraso, diante de filas infindáveis, sem alternativas e vias rápidas. A vida – profissional, educacional, social – na cidade de mostra em crescente processo de aridez e estrangulamento. Horários se tornam impossíveis de cumprir, compromissos são perdidos, prejuízos são gerados. De quebra, o prazer de viver a cidade – de nela circular e de dela se apropriar, como espaço de sociabilização, reconhecimento e escrita da própria história de cada elo desse coletivo – se vê gravemente comprometido.
A proximidade das eleições produz muitos pretendentes ao cargo principal da cidade. É natural. O que não é normal é o desaparecimento de um debate qualificado e em torno de projetos. É essencial a construção de uma Plataforma para o desenvolvimento no Século XXI. Fortaleza ainda não adentrou este século com as obras e os empreendimentos necessários, que podem consolidá-la como uma das mais pujantes capitais brasileiras. A capital cearense precisa de uma gestão mais empreendedora, que vislumbre esses desafios e tome as medidas para sair dos impasses em que se envolveu. Voltaremos a essa discussão.
Gilvan Paiva é Sociólogo e Secretário de Educação de Maranguape
quarta-feira, 20 de abril de 2011
O Plantador de Borboletas
O Poeta Joan Edesson de Oliveira está de volta. Agora traz, em seu bornal poético-literário, um belíssimo livro de contos, diga-se de passagem, seu melhor livro. Chega apresentado por dois mestres cearenses da palavra: o renomado contista Pedro Salgueiro e a escritora Ana Miranda. Mas nem precisaria o peso simbólico dessa companhia tão ilustrada para confirmar o que as rodas literárias já sabem. Sua poesia é altiva e por isso, certamente, tem arrebatado sucessivas premiações por onde passa, em Festivais de Poesia.
Mas a novidade é que surge o contador de histórias, esta que é uma das principais marcas desse Professor intinerante, que desde que o conheci, aprendi admirar sua destreza e habilidade no manejo dos versos. Talvez suas andanças e sonhos, tenha lhe ensinado o ofício da colheita de histórias. Muitas dessas histórias são fantásticas, no sentido literário, bebidas na realidade e recriada com maestria e inventividade. É provável que voce também encontre nessas páginas muitos autores conhecidos desse mundo fantástico.
Acho que Joan conseguiu unir duas paralelas que não se encontram com facilidade na literatura: poesia e narrativa. Isso faz uma diferença enorme. Os relatos ganham a leveza dos pássaros ou das borboletas, que na sua obra aprenderam o ofício do colecionador. Vi também nesses microcontos - arte para poucos - uma forte influencia do escritor moçambicano, Mia Couto, que tem se destacado pela beleza poética de sua narrativa, sustentada na história e na vida do seu povo. Que boa companhia, Joan encontrou!
Temos uma obra que será, tenho certeza, ainda muito festejada. Claro, isso tudo deverá começar quando Joan nos brindar com o lançamento do seu livro, ainda sem data. Não me contive, precisava contar isso para vocês. Por enquanto tive a satisfação de ler em primeira mão. Vocês terão a oportunidade, em breve, de confirmar como o Poeta melhorou sua forma de contar a história de seu chão com mais poesia. Vocês verão...
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Mas a novidade é que surge o contador de histórias, esta que é uma das principais marcas desse Professor intinerante, que desde que o conheci, aprendi admirar sua destreza e habilidade no manejo dos versos. Talvez suas andanças e sonhos, tenha lhe ensinado o ofício da colheita de histórias. Muitas dessas histórias são fantásticas, no sentido literário, bebidas na realidade e recriada com maestria e inventividade. É provável que voce também encontre nessas páginas muitos autores conhecidos desse mundo fantástico.
Acho que Joan conseguiu unir duas paralelas que não se encontram com facilidade na literatura: poesia e narrativa. Isso faz uma diferença enorme. Os relatos ganham a leveza dos pássaros ou das borboletas, que na sua obra aprenderam o ofício do colecionador. Vi também nesses microcontos - arte para poucos - uma forte influencia do escritor moçambicano, Mia Couto, que tem se destacado pela beleza poética de sua narrativa, sustentada na história e na vida do seu povo. Que boa companhia, Joan encontrou!
Temos uma obra que será, tenho certeza, ainda muito festejada. Claro, isso tudo deverá começar quando Joan nos brindar com o lançamento do seu livro, ainda sem data. Não me contive, precisava contar isso para vocês. Por enquanto tive a satisfação de ler em primeira mão. Vocês terão a oportunidade, em breve, de confirmar como o Poeta melhorou sua forma de contar a história de seu chão com mais poesia. Vocês verão...
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