Como em outros cenários o embate presidencial é um momento de grandes contradições. É sempre um período de acomodações e rupturas. No horizonte o campo de lula – que carece de um programa delineado – mas pelas circunstâncias históricas se tornou avançado frente à oposição demo-tucano, privatista e obsecada pela volta ao poder, busca acertar o passo em torno de suas candidaturas: Dilma e Ciro Gomes. Para o próprio Presidente o melhor seria marchar com uma candidatura única. Para outros setores da esquerda há necessidade de se garantir o segundo turno e levar a esquerda com mais de uma possibilidade.
Quando todas as atenções estão voltadas para o “incêndio do Senado”, alvo combalido pelos bombardeios da oposição demo-tucano e adotada pela “mídia grande” como se estivéssemos diante do maior escândalo de todas as épocas no Brasil patrimonialista. As estratégias estão claras: paralisar o Congresso; arrastar Dilma e o governo para a crise e fomentar a divisão nas hostes do campo progressista.
Já se falou bastante que estes “arautos da moralidade” não querem apurar em profundidade as denúncias, tendo em vista os antecedentes de seus próceres. Após o arquivamento das denúncias contra Sarney, busca-se arrastar a Chefe da Casa Civil Dilma Roussef para o fogo e abem nova frente: a tentativa de construir a candidatura de Marina Silva a presidência.
A candidatura de Mariana Silva pelo PV é um esforço de dividir o campo de lula. Implodiria a candidatura de Dilma? E colocaria em dificuldades a candidata preferencial de Lula? Ou garantiria o segundo turno e a esquerda derrotaria com ampla margem o candidato demo-tucano?
É uma jogada arriscada prever o que irá acontecer caso se concretize a ida de Marina para a órbita dos tucanos. Tenho a convicção de que deverá ocorrer com certeza o segundo turno e a possibilidade de um candidato do campo de lula protagonizar essa disputa. Enfraquecer o campo de lula torna-se difícil dado que Marina tende a se afastar dessas conquistas e ficará no contraponto e com discurso ambíguo, o tal do desenvolvimento sustentável.
Mobiliza-se o guru dos tucanos cearenses, o marqueteiro Lavareda, para vender suas certezas: Dilma é frágil e Marina pode chegar lá. Lavareda quando fazia pesquisa no Ceará nunca ganhou uma eleição em Fortaleza: talvez porque nunca leu corretamente a ojeriza aos tucanos na cidade. 2010, com lula em alta, isto pode significar alguma coisa!